Controle parental é aliado no uso seguro da Internet

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Uma das ações preventivas anuais de maior destaque no ambiente digital é o Dia Mundial da Internet Segura. Realizada toda segunda semana de fevereiro, a data é marcada por iniciativas que buscam mobilizar usuários acerca dos riscos de estarmos inseridos em uma sociedade sem muros nem portas, onde a informação é em tempo real e o conteúdo compartilhado não tem devolução. Além disso, as instituições que participam da iniciativa também fortalecem o discurso acerca da importância de contribuir para a disseminação de conteúdos seguros e construtivos na Internet.

Neste ano, a mobilização acontece no dia 07 de fevereiro, e o tema escolhido pelo Instituto iStart para compor a campanha é o controle parental. A funcionalidade disponível em diversos sistemas abrange diferentes opções programáveis como filtro de conteúdo web, bloqueio de download de aplicativo, registro de atividades, controle de tempo e de acesso a determinados conteúdos. A ideia é ser um meio de auxiliar os pais e responsáveis na desafiadora tarefa de mitigar os riscos que os menores estão expostos na gigantesca rua da Internet.

O jovem da era digital tem se mostrado extremamente hábil no manejo da tecnologia, mas, por outro lado, é muito inocente frente a situações em que deveria enxergar risco e ter comportamento mais cauteloso. Isso pode ser reflexo de uma vida com menos responsabilidades, crescendo em grandes centros urbanos onde a criação tem sido com uma redoma de superproteção da família. Apesar de estar longe da rua tradicional, o mesmo não ocorre com a rua digital, na qual ele está cada vez mais exposto e por vezes com desconhecimento dos responsáveis.

Pesquisa elaborada pelo Comitê Gestor da Internet (CGI)[1] indicou que 82% dos jovens acessam a rede por telefones móveis. A indústria de telecomunicações poderia promover mais campanhas educativas sobre o uso seguro do celular. Uma iniciativa importante nesse sentido foi da operadora Vivo, que em 2013 lançou o pacote Vivo Filhos Online. O serviço bloqueia conteúdo impróprio na web, informa sobre os contatos questionáveis no Facebook e conversas perigosas ou desagradáveis em chats, permite definir os intervalos de tempo para acessar a internet e as configurações de proteção de cada um dos seus filhos, além de disponibilizar relatórios através de uma interface web.

A maioria dos pais quando dá um celular para um filho só diz para não gastar muito crédito, não quebrar a telinha ou não perder o aparelho. Mas é necessário acompanhar e supervisionar o uso, instalando ferramentas protetivas antes de dar o dispositivo, como antivírus e software de controle parental.

A lei brasileira distingue criança, que é o menor até 12 anos incompletos, do adolescente. Por isso muitos serviços digitais exigem idade mínima de 13 anos, pois não foram feitos para criança. Ou pelo menos, não deveriam ser utilizados por crianças sozinhas, elas devem estar sempre assistidas por um adulto, inclusive na navegação da internet.

Vale lembrar que pelo artigo 932 do Código Civil, os pais têm o dever de vigilância, e quando não o fazem, respondem por negligência. Criança conectada à Internet sem a supervisão de um adulto é um menor abandonado digital. Por isso os responsáveis precisam estar mais presentes na vida dos filhos, sabendo de que e com quem os filhos estão brincando, inclusive no ambiente online.

Recomendamos o apoio e a orientação num uso mais seguro das redes, a partir de atitudes como:

1. Estabelecer regras claras (o que pode ou não fazer);
2. Vigilância Parental é um dever, realizar inspeção e monitoramento;
3. Criar perfis de acordo com a idade dos filhos, separando principalmente criança (menor até 12 anos) de adolescente (maior de 13 anos) em serviços como Netflix e em grupos de WhatsApp;
4. Habilitar o controle de segurança no YouTube via browser e dar preferência por utilizar o YouTube Kids se for criança;
5. Definir um horário limite para a internet para fechar a porta da casa digital na hora de dormir;
6. Monitorar a proteção da privacidade, buscando os nomes dos filhos e ver o que aparece nos buscadores;
7. Proteger as informações da família (não expor rotina, trajetos, horários, informações de viagens, quanto os pais ganham, onde trabalham);
8. Instalare ferramentas protetivas antes de dar o dispositivo (antivírus e software de controle parental);
9. Sempre ler os Termos de Uso, verificando a idade mínima dos serviços;
10. Acompanhar quem são os amigos digitais do filho (jogos em rede, grupos de WhatsApp).

Programas de controle parental

Norton Family: family.norton.com/web
Security Teen: secureteen.com/android-parental-control
My mobile Whatchdog: mymobilewatchdog.com
Kids Mode & Child Lock
Mobicip: mobicip.com
AVG Family Safety: avgmobilation.com
McAfee Family Protection: mcafee.com
Cloudcacl: cloudacl.com

Nacontroleparental internet, valem os mesmos conselhos de antigamente: não falar com estranhos na web, não pegar carona em qualquer comunidade, não cobiçar e copiar o conteúdo do próximo, e não fazer aos outros o que não gostaria que fizessem com você. Recomendo que os pais entrem no jogo, participem da vida digital do filho, para experimentarem por si próprios, ficarem perto, para poderem sentir a que os filhos estão expostos e mantenham sempre a vigilância e o estado de alerta em alta e havendo algum problema poderem agir imediatamente em resposta e socorro do filho.

A tecnologia não tem um lado bom ou ruim, pois depende muito de como é utilizada, mas a negligência sim, essa sempre gera danos, às vezes irreversíveis. Temos que estar atentos para não formarmos uma geração de menores abandonados digitais, sujeitos à sua própria sorte, expostos a todo tipo de risco nesta rua gigantesca de mais de 5 bilhões de pessoas chamada internet. E este papel de educação na formação deste jovem é da família e da escola, de mãos dadas, para formar cidadãos digitalmente corretos, que usem a tecnologia de forma ética e que saibam se comportar com mais segurança digital.

[1] http://www.ebc.com.br/noticias/2015/07/celular-e-usado-por-82-das-criancas-e-adolescentes-para-acessar-internet Acesso em 06/02/2017

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Artigo escrito pela Dra. Patricia Peck Pinheiro, advogada especialista em Direito Digital,  graduada e doutoranda em Direito Internacional pela Universidade de São Paul
o, 17 livros publicados sobre o assunto. É Sócia Fundadora do escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados, da empresa de cursos Patricia Peck Pinheiro Treinamentos e do Instituto iStart de Ética Digital que conduz o Movimento Família mais Segura na Internet e que lançou recentemente o aplicativo iStartCare que ajuda a educar em ética e segurança digital, disponível na Google Play e na Apple Store (https://play.google.com/store/apps/details?id=com.icapps.istart2&hl=pt_BR).

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0172053105577577
LinkedIn: https://br.linkedin.com/in/patriciapeckpinheiro

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